
Em 2016, pesquisadores do Google e da SOASTA documentaram que 53% dos usuários mobile abandonam páginas que demoram mais de 3 segundos para carregar. Esse número continua sendo referência em web performance e continua verdadeiro.
Core Web Vitals são as três métricas que o Google usa para medir se uma página entrega uma boa experiência ao usuário. Elas afetam diretamente o ranqueamento orgânico, as taxas de conversão e a retenção de visitantes. Se o seu site não passa nos limites definidos pelo Google, você perde tráfego para concorrentes que passam.
Este guia explica o que são, como funcionam o LCP, o INP e o CLS, como medir e quais ações têm maior impacto para melhorar cada um.
Resumo Rápido
- Em 2025, apenas 48% dos sites mobile passaram nas três métricas Core Web Vitals (HTTP Archive / DebugBear, 2025)
- O Google confirmou que CWV são um sinal de ranqueamento e funcionam como desempate entre páginas com conteúdo equivalente
- Uma melhora de 31% no LCP aumentou as vendas da Vodafone em 8% (web.dev, 2021)
- Ferramentas gratuitas como PageSpeed Insights e Google Search Console permitem monitorar CWV sem custo
O Que São Core Web Vitals?
Core Web Vitals são um conjunto de três métricas criadas pelo Google para medir a experiência real dos usuários em páginas web: velocidade de carregamento, responsividade às interações e estabilidade visual. O Google anunciou formalmente as métricas em 2020 e as incorporou ao algoritmo de ranqueamento em maio de 2021.
As métricas são avaliadas com dados reais dos usuários, coletados pelo Chrome através do CrUX (Chrome User Experience Report). Isso significa que o Google não usa um teste de laboratório, ele usa o que visitantes reais experimentam ao acessar o seu site no dia a dia.
Em março de 2024, o Google substituiu a métrica FID (First Input Delay) pelo INP (Interaction to Next Paint), tornando a avaliação de responsividade mais abrangente. O INP mede todas as interações do usuário durante a sessão, não apenas a primeira.
Quais São as 3 Métricas dos Core Web Vitals?
Em 2024, apenas 43% dos sites mobile e 54% dos sites desktop passavam em todas as três métricas Core Web Vitals simultaneamente (Web Almanac 2024, HTTP Archive). Abaixo, o que cada métrica mede e quais são os limites definidos pelo Google, avaliados sempre no percentil 75 das visitas.
Limites definidos pelo Google (fonte: web.dev, 2024):
- LCP (Largest Contentful Paint): Bom ≤ 2,5 s │ Precisa Melhorar 2,5–4,0 s │ Ruim > 4,0 s
- INP (Interaction to Next Paint): Bom ≤ 200 ms │ Precisa Melhorar 200–500 ms │ Ruim > 500 ms
- CLS (Cumulative Layout Shift): Bom ≤ 0,1 │ Precisa Melhorar 0,1–0,25 │ Ruim > 0,25
LCP — Largest Contentful Paint
O LCP mede quanto tempo leva para o maior elemento visível da tela, geralmente uma imagem de destaque ou o título principal, aparecer para o usuário. Ele representa a percepção de “a página carregou”.
Em 2024, 73% dos sites têm uma imagem como elemento de LCP, segundo o HTTP Archive. Atrasos no carregamento dessas imagens são a causa mais frequente de LCP ruim. Ainda assim, apenas 15% das páginas elegíveis usam o atributo fetchpriority no HTML, uma otimização simples que pode fazer diferença imediata.
INP — Interaction to Next Paint
O INP substituiu o FID em 12 de março de 2024. Enquanto o FID media apenas o atraso até o início do processamento da primeira interação do usuário, o INP mede o tempo total de resposta para todas as interações durante a sessão, cliques, toques no mobile, digitação.
É a métrica mais difícil de passar no mobile. Em 2024, apenas 74% dos sites mobile tinham um bom INP, contra 97% no desktop, diferença de 23 pontos percentuais (Web Almanac 2024, HTTP Archive). Scripts de terceiros pesados são a causa mais comum: chatbots, widgets de redes sociais e scripts de analytics bloqueiam a thread principal.
CLS — Cumulative Layout Shift
O CLS mede o quanto os elementos da página se movem enquanto ela carrega. Sabe quando você vai clicar em um botão e, no último segundo, um anúncio aparece e você acaba clicando em outra coisa? Isso é CLS alto.
Curiosamente, é a única métrica onde o mobile supera o desktop: 79% dos sites mobile têm bom CLS, contra 72% no desktop (Web Almanac 2024). Elementos sem dimensões definidas e conteúdo injetado dinamicamente acima do fold são as causas mais comuns.
Core Web Vitals Afetam o Ranqueamento no Google?
Sim. O Google confirmou que Core Web Vitals são um sinal de ranqueamento como parte dos critérios de experiência de página desde 2021. A documentação oficial do Google Search Central afirma que os sinais de CWV “aligns with what our core ranking systems seek to reward”. A ressalva importante: funcionam como desempate, não como substituto de conteúdo relevante.
Na prática, isso importa mais do que parece. Para termos disputados no mercado brasileiro, onde a diferença entre páginas concorrentes é pequena, os Core Web Vitals podem ser o fator que define a posição final.
Mais de metade dos sites mobile provavelmente falha em pelo menos uma métrica.
Qual É o Impacto dos Core Web Vitals no Negócio?
Melhorar Core Web Vitals tem impacto direto em receita, não apenas em posições. Os estudos de caso documentados pelo Google mostram resultados consistentes.
Vodafone Itália fez um teste A/B controlado: uma melhora de 31% no LCP resultou em 8% mais vendas, 15% mais conversão de leads e 11% mais visitas ao carrinho (web.dev, 2021). A Redbus, plataforma de reservas de viagens, zerou o CLS — de 1,65 para 0 — e viu as conversões mobile aumentarem entre 80% e 100%.
Em 2025, com 48% dos sites mobile passando em todas as métricas, mais da metade dos seus concorrentes provavelmente tem pelo menos uma métrica ruim. Isso é uma abertura competitiva concreta.
Resultados documentados de empresas reais:
- Vodafone (Itália): LCP +31% → Vendas +8%, leads +15%
- Redbus: CLS de 1,65 para 0 → Conversões mobile +80–100%
- Nykaa (Índia): LCP +40% → Tráfego orgânico +28%
- Tokopedia: LCP +55% → Duração de sessão +23%
Em 2025, 48% dos sites mobile e 56% dos desktop passaram em todos os Core Web Vitals, segundo dados do HTTP Archive CrUX compilados pelo DebugBear (2025 In Review: What’s New In Web Performance). A diferença entre mobile e desktop é consistente há três anos, mobile sempre fica 8–10 pontos percentuais abaixo.
Para pequenas empresas no Brasil, não ter uma boa otimização para os Core Web Vitals significa visitantes que desistem de esperar a página carregar, menos leads e menos vendas.
Como Medir Seus Core Web Vitals?
Antes de otimizar, você precisa saber onde está. Três ferramentas gratuitas cobrem todo o processo:
PageSpeed Insights (pagespeed.web.dev) é o ponto de partida. Insira a URL da página e o relatório mostra dados de campo (CrUX — usuários reais) e dados de laboratório (Lighthouse). Priorize os dados de campo, são eles que o Google usa no ranqueamento. Os resultados do Lighthouse costumam ser inconsistentes.
Google Search Console exibe o relatório de “Experiência da página” com o status de CWV para todas as URLs do seu site, agrupadas por status (Bom, Precisa Melhorar, Ruim). É a ferramenta certa para priorizar correções por volume de páginas afetadas.
O Google atualiza os dados do CrUX mensalmente. Após implementar melhorias, espere cerca de 28 dias para que os dados de campo reflitam as mudanças.
Como Melhorar Seus Core Web Vitals?
As otimizações mais eficazes variam por métrica. Veja o que tem maior impacto em cada uma:
Para melhorar o LCP
- Adicione fetchpriority="high" na imagem principal. Apenas 15% dos sites fazem isso atualmente (web.dev, 2024), é uma das otimizações mais acessíveis e ignoradas.
- Use formatos modernos de imagem: WebP ou AVIF reduzem o tamanho típico em 25–50% sem perda visual perceptível.
- Defina dimensões no HTML com width e height em todas as imagens para evitar reflow durante o carregamento.
- Use um CDN para servir assets estáticos mais perto geograficamente do usuário.
Para melhorar o INP
- Reduza o JavaScript de terceiros: chatbots, widgets de redes sociais e scripts de analytics pesados bloqueiam a thread principal e aumentam o INP diretamente.
- Quebre tarefas longas: qualquer tarefa de JavaScript que execute por mais de 50 ms na thread principal degrada o INP. Use setTimeout ou scheduler.postTask() para fragmentar tarefas pesadas.
- Prefira CSS para animações, CSS animations e transitions rodam fora da thread principal na maioria dos navegadores modernos.
Para melhorar o CLS
- Defina dimensões em todos os elementos de mídia, imagens, vídeos, iframes. Se o browser sabe o tamanho antes de carregar, não precisa reorganizar o layout.
- Evite injetar conteúdo acima do conteúdo existente após o carregamento inicial, é a causa mais comum de CLS alto em sites de notícias e e-commerce.
Importante mencionar que nem sempre terá controle total das otimizações necessárias para melhorar o CWV. Se seu site é em WordPress ou outro CMS (gerenciador de conteúdo) não é possível ter acesso a nível de código para certas otimizações. Mas com certeza tem como melhorar muito o resultado e a experiência do usuário.
Conclusão
Core Web Vitals não são uma métrica técnica abstrata, são a medição direta do que os seus visitantes experienciam ao acessar o seu site. Um site lento perde clientes antes mesmo de apresentar o produto.
Comece medindo: abra o PageSpeed Insights, insira a URL da sua página mais importante e veja o diagnóstico. Com os dados em mãos, as otimizações ficam claras.
Se você quer um diagnóstico completo e a implementação das correções, a Pages Hero realiza auditorias de performance e cuida das melhorias técnicas necessárias para você.

